quinta-feira

Papel Higiênico



Qual poderia ser a desculpa de um homem que foi encontrado por sua mulher dentro do banheiro com o dedo no cu.

- Estava limpando, sua lesma inútil. É você! Você que não compra o papel higiênico! Olhe para este dedo e veja a sua incompetência em estado marrom e levemente pastoso. Uma lama! Uma lama!

Ricardo gritava apontado o dedo sujo em direção à esposa.

- Ricardo. Pára... sério... Isso é nojento. (decepcionada)

- Mas Ju... tsc. (cabisbaixo com o dedo sujo)

Foram juntos ao terapeuta. Terapia de casal. Explicaram o ocorrido no banheiro e a terapeuta, como de costume, fez tudo ao contrário, atacou a pessoa inocente, a Juliana.


- Sua ausência no papel de mulher da casa o leva a comportamentos bizarros tal qual o dedo no cu.

- Mas isso não tem nada a ver com papel de mulher, isso tem a ver com um dedo no cu!

- É claro que tem a ver com papel. Papel higiênico e cu é que nem queijo e goiabada.

- Foi um dia estressante. Estava desestabilizado emocionalmente. Fui ao banheiro pois vejo naquele local a minha fuga da rotina do trabalho sufocante e do ambiente competitivo. Sei, que ali, naquela privada branquinha e simpática, tenho a minha paz. Senti que havia feito um cocô responsa, mas por mais que eu fizesse força, percebi um tolete incompleto pendurado no meu cu que insistia em não cair. Sabia que naquele momento ia precisar de metros e metros de papel higiênico, mas foi aí que aconteceu. Foi quando percebi o horror... o terror... olhei para o lado e vi... o papel higiênico... (começa a soluçar) havia acabado... (chorando copiosamente)...

- E a senhora ainda o culpa ?

- E por quê ele não aproveitou pra tomar um banho ? Limpava o cu com água e sabão, ora.

- Você não vê ? O momento de limpar o cu é o único momento em nossas vidas que esquecemos de tudo e nos desligamos de todas as pressões do dia-a-dia. Ao não comprar o papel higiênico, que é uma responsabilidade sua, você tirou dele o bem mais precioso, a fuga da rotina e do stress que tanto pressionam o Ricardo... (a terapeuta pega nas mãos dele demonstrando carinho). Num momento daqueles, desorientado, ele sentindo aquele incômodo de um cu sujo sem uma solução imediata aparente, colocou a primeira coisa que tinha em mãos, o dedo!

Juliana está confusa.

- Olhe para ele e veja o estado de calamidade em que ele se encontra por tamanho trauma causado pela falta de papel higiênico...

Ricardo faz biquinho e cara de coitado.

- Nossa... não sabia que a falta de papel higiênico poderia causar um problema tão grande...

- Bem. Agora você sabe. Não estamos aqui para julgar ninguém, apenas ajudar.

- Bom. Peço desculpas aos dois. Prometo que nunca mais vou deixar faltar o papel higiênico. Meu bem.. vou para o carro... preciso pensar...

- Tudo bem, meu bem.

Juliana se dirigiu até o carro. Ricardo pisca para a terapeuta que responde com um sorriso maroto.


- Quanto te devo ?

- Depois a gente acerta...

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