terça-feira

Acre



Estou no aeroporto.

Vou pegar um vôo para Rio Branco visitar um cliente. Do Rio vou para São Paulo, de São Paulo para Brasília, de Brasília para Manaus e finalmente de Manaus vou para Rio Branco, depois de 24 horas.

A mulezinha anuncia no microfone:

- TAM informa: Passageiros do vôo 5736 para São Paulo e conexões, favor perguntar ao passageiro Eduardo Azevedo o que diabos ele vai fazer em Rio Branco ?!?

É claro que isso é mentira. Mas seria engraçado.

Tem muita gente que acredita que o Acre não existe. Pelo menos agora eu vou saber.

Sempre que entro nessas de viagens esquisitas saio com diversas histórias para contar para os amigos. Por isso encarei essa viagem ao Acre mais como uma aventura do que como uma roubada.

Dentro do avião, serviram os lanches, aquele sanduíche da TAM quentinho, manero, gostoso. O cara do meu lado devia estar com fome, pois ele comeu o sanduíche dele em 3 mordidas, o tiozinho.

Eu, que como bombom como se fosse Big Mac, já diziam meus amigos, vou comendo o meu sanduíche devagar, mastigando com calma, até porque li em algum lugar que isso emagrece.

O cara já tinha terminado o sanduíche dele e eu nem na metade. Deu pra ver que ele estava olhando para o meu sanduíche. Quando eu o levava à boca ele me olhava mastigando, olhava para o sanduíche, me olhava mastigando... dava pra ver tudo pelo canto do olho.

Depois de quase 10 minutos, eu ainda terminando o sanduíche, o cara todo suado ainda continuava olhando. Transtornado, revoltado, inconformado.

Quando eu levei o último pedaço à boca ele deu um tapa na minha mão!

O pedaço de sanduíche caiu no meu colo, ele pegou rapidamente e botou na boca.

Eu fiquei estarrecido olhando para ele, até assustado. Ele virou pra frente, mastigando bem rápido, olhos arregalados, olhou pra mim envergonhado, abriu a janela do avião e ficou olhando para a noite negra e vazia com a mão na testa cobrindo os olhos de vergonha.

Cara, te falar que fiquei meio puto. O último pedaço é sempre mais gostoso. Mas beleza, só de sacanagem soltei um pum com a bunda levemente virada pra ele.

Depois de muitas horas de vôo, finalmente chego a Rio Branco.

Pego um táxi para o hotel. O nome do taxista é Eurípedes.

Pergunto ao Eurípedes o que tem de bom pra fazer na cidade.

Ele me diz que a sorveteria perto do meu hotel é bem legal.

Sorveteria...

É. Rio Branco bombante. Se bem que ele não deve ser o cara mais apropriado pra se falar de night aqui. Com certeza deve ter uma galera na piscina do hotel que sabe o que tem de bom. A visita ao cliente é só amanhã, hoje eu vou zoar.

No check-in, pergunto para a recepcionista do hotel o que tem de legal pra fazer ali perto.

Ela fala da sorveteria.

Tirando a sorveteria, pergunto eu.

- Bem... o senhor gosta... de uma diversão... masculina ?

Na hora fiquei meio envergonhado, mas confirmei.

- Existe um lugar aqui na esquina chamado "Recanto da Mandioca". Nossos hóspedes solteiros geralmente gostam de passar a noite lá.

É ruim de eu não ir hein... ninguém me conhece nesse fim de mundo, e é bem melhor do que a sorveteria.

Percebi que a recepcionista era pegável, até gatinha pros padrões da cidade. Muito louco eu, pergunto se ela também trabalha lá.

Ela diz que já trabalhou, mas hoje não trabalha mais.

Caraaalho...

Chego no “Recanto da Mandioca”. Puta que pariu. Que merda. Que desastre que esse lugar é. Luz vermelha, fumaça de cigarro, cheiro de mofo, velhos nojentos e uma puta mais caída e nojenta do que a outra. Mas beleza, vou me divertir por aqui mesmo. No mínimo, vai ser engraçado ver as tiazinhas dançando com os peitos de fora.

Chega uma puta e começa a dançar no meu colo. Ela tem aquele cheiro forte de lavanda, aquele desodorante de coco, dá pra ver os pentelhos do suvaco grossos mal raspados, cabelo pichaim molhado e um bikini roxo minúsculo, que esconde praticamente nada.

Ela pergunta se eu quero "meia hora".

Bem...

Eu tomo mais uma dose de tequila pra engolir a seco a coragem e a desventura da ocasião. Não, não... é hoje. É hoje que eu vou explorar o submundo mais negro, o repúdio mais infame, o degrau mais fundo. Porra, estou no Acre! Quero descer ao nível mais baixo de critério já registrado por todos os meus amigos!

Viro pra puta e falo que quero atrás.

Ela diz que ali é mais caro, 25 reais. Eu, muito mão-de-vaca, pechincho.

- Não, eu vou pagar 10.

Muitos segundos de discussão, eu gastando o meu latim com a mulher mais feia da Floresta Amazônica. A puta, muito contrariada por sinal, vendo que a noite não poderia ser mais lucrativa do que aquilo, acaba aceitando.

Fomos para o quarto.

*Péun, tique, péun, péun, tique, péun* (Trilha sonora de filme de sacanagem)

Finalmente, ao final do ato, retiro a camisinha do orifício anal da cidadã, e para total desespero de todos os meus sentidos e, para o teste final do submundo negro e infame, a camisinha vem toda suja e ainda com... casquinha de feijão. Argh.

Protesto enojado.

- Ah, não... porra! Casquinha de feijão!?!

- Ah! Por 10 reais ?!? Você queria o quê ? Casquinha de camarão ?!


Pago a puta e vou embora pro hotel.

Na rua, começo a perceber um movimento de mulheres altamente gatas, tipo modelos, sensacionais, entrando em seus carros e indo embora, pegando táxi, todas saindo de uma boate que está fechando do outro lado da rua.

Olho para a fachada e vejo o nome da boate: "Sorveteria".

Puta que pariu.

Chego mais perto e vejo uma faixa "Hoje: Noite das Mulheres!"

Puta que pariu.

Pergunto pro segurança qual é o esquema da Noite das Mulheres.

Ele responde.

- É o seguinte. A mulherada fica isolada numa parte da boate vendo os strippers na passarela e bebendo tequila de graça até 1 da manhã, aí liberamos a entrada dos homens, aí já viu.

- E por que elas estão indo embora ?

- Porque hoje não veio nenhum homem! Uma pena. Logo hoje que vieram todas as concorrentes para o Miss Acre 2006!

- Nãaaaaaaaaaaoooooooo...

4 comentários:

Carol disse...

Du,

tah legal... mas a historia do feijao eh velha pra caramba, né? Vc conseguia uma piadinha mais criativa....

Agora falando sério... vc esteve no Acre mesmo?

Ceijos com carinho e saudades

Carol

Anônimo disse...

Gostei, o tema é original e o final inesperado. Fiquei colado na história até o fim, mas preferia não ter lido o detalhe do feijão, mas é a tu cara mesmo um comentário desses. ehheheh.

Valeu!
Adner

Gio disse...

hahahah
Edu, tu me trinca a cara!

gostei :)

Beijos - :)
beijos dan enem

Gio disse...

hahahah
Edu, tu me trinca a cara!

gostei :)

Beijos - :)
beijos dan enem