terça-feira

Lázaro Ramos



Ganhei um concurso do Bradesco para ir ao teatro com o Lázaro Ramos.

Achei uma merda. Queria jantar com a Ana Hickmann ou praticar esportes radicais com a Luize Altenhofen.

Sempre achei o Lázaro Ramos um ator fraco. Ele sempre faz o papel dele mesmo para todos os seus personagens.

Liguei pro Bradesco no dia anterior e perguntei se podia cancelar o encontro.

Eles explicaram que não, que agora eu estava sob contrato, e que eu teria que tirar fotos com ele, ceder direito de imagem e o caralho a quatro.

Meus amigos me ligaram me chamando pra jogar poker.

- Não posso. Tenho que ir ao teatro com o Lázaro Ramos.
- Tá pegando ?
- Não, porra. Ganhei um concurso do Bradesco.
- Sei, sei... concurso... claro...

Cheguei no teatro e tinha uma menina do Bradesco na porta com o meu ingresso. Perguntei pelo Lázaro e ela disse que ele já estava lá dentro, me esperando.

Entrei na sala e encontrei o cara sentado lá na frente, de óculos escuros e braços cruzados, visivelmente contrariado por ter que estar ali.

Quando me viu, descruzou os braços e sorriu, não escondendo, porém, seu desconforto.

- Parabéns, Eduardo. Você faz suas compras com o Cartão de crédito Bradesco e é você quem ganha. Conte sempre com o Bradesco, o seu banco completo.
- Mandaram você falar isso pra mim ?
- É. Agora senta aí e cala a boca.

Filho da puta. Sentei e fiquei jogando meus joguinhos de celular, esperando o início da peça.

A menina do Bradesco apareceu, pediu pra gente levantar e tirar uma foto. Ela sacou uns cartões de crédito do Bradesco e mandou a gente colocar eles perto da cara e sorrir.

Aí ele foi todo simpático, sorriu e fez pose de artista.

A menina até que era bonitinha, extremamente razoável.

Joguei meu charme falível.

- Você vai ver a peça com a gente ?
- Não. Meu namorado está chegando aí. Nós vamos jantar.
- Posso ir com vocês ?
- Não. Você tem que ver a peça com o Lázaro.
- Mas eu não quero ver a peça com ele. Não gosto dele. Sempre o achei um ator super estimado que faz o mesmo personagem em todos os seus trabalhos.

Ela fingiu que não escutou e foi embora.

Sentamos e a peça começou.

Depois de dois minutos, o Lázaro levanta.

- Vou ao banheiro.

Vinte minutos depois, nada dele voltar.

Acho que ele foi embora.

Me levanto e saio do teatro.

Lá fora, encontro ele conversando com um dos diretores da peça.

Sem pensar, eu me despeço.

- Tchau, Lázaro.
- Tsc. Vai se fuder.

No caminho pro carro, encontro um amigo meu saindo de um restaurante com a Ana Hickmann. Aquele monumento de 1,85m. Logo vi que ele também ganhou a promoção do Bradesco.

Os dois rindo e se divertindo.

- Eduardo ?
- Fala, cara.
- E aí, mermão! Aninha, Eduardo. Eduardo, Aninha.

- Prazer. Amor, vou no banheiro me refrescar e já volto.
- Ok, baby.

- Baby ?
- É. Tô pegando, acredita ?
- Filha da puta.
- E o pior é que eu não tive que fazer nada. Ela disse que tem a ver com a promoção, que o Bradesco é um banco completo, então... o jantar também é completo!
- Mentira. Vai comer ?
- Vou. Cara, não posso deixar de documentar isso. Vou ser o rei entre meus amigos por 50 anos. Toma a chave da minha casa. Vai pra lá agora e se esconde no armário. Você vai filmar eu comendo a Ana Hickmann.

Chego no apartamento, deixo a porta encostada e vou pro armário.

Abro a porta e vejo o Lázaro Ramos todo encolhido.

- O que você tá fazendo aqui ?
- Eu ouvi a sua conversa com o seu amigo. Vim ver a foda da Ana Hickmann. Esse lugar é meu, arruma outro.
- Chega pra lá. Sai, sai.

Os dois chegam. Vão para a cama e começam os guéri-guéris.

- Meu rei. Olha isso. 1 metro e 20 só de perna. Filma essa porra direito. Olha o foco.

Nisso, meu amigo começa a mostrar certa dificuldade de rigidez.

- Se o seu amigo brochar... eu mato ele.

5 minutos depois e nada.

Revoltado, Lázaro abre o armário e arranca as calças igual a um go-go boy.

Ana se assusta.

- Lázaro ?
- O que é isso ?
- Meu rei. O contrato da promoção deixa bem claro. O Bradesco é um banco completo. Se você não completar a Ana Hickman, eu tenho que completar você!
- Nããão!

Lázaro pula na cama. Daí se seguiu a cena mais tosca que eu já vi na minha vida.

Meu amigo pelado, só de meia branca, correndo pelo quarto, sendo perseguido pelo Lázaro Ramos de cueca.

Nisso, Ana Hickmann olha pra mim, eu olho pra ela... e nós dois vamos para a sala... hum, finalizar a promoção.

Ah, muleque.

Finalmente eu me dou bem no final de uma história.

Quanto ao meu amigo, ele acabou sendo "completado" pelo Lázaro Ramos.

A câmera filmou tudo. Eu, como bom amigo que sou, publiquei o vídeo no Youtube, claro.

Mandei o link pra todo mundo.

Mas ele nem ligou. Ele achou o vídeo lindo, "verdadeiro".


Essa história ficou uma merda.

Mas o Lázaro Ramos adorou.

Disse que vai usar esse texto como roteiro do seu próximo filme.

Ele vai fazer, como sempre, o papel dele mesmo.

2 comentários:

Edvaldo Lima disse...

Adorei o conto, muito bom!

Edvaldo Lima disse...

Seu texto é muito interessante, ri litros aqui! Parabéns.